


Depois do que houve no dia 22 de janeiro de 2012, no Bairro Pinheirinho em São José dos Campos, num histórico de tragédias repetidas, ainda se pode duvidar sobre a quem este Estado serve? Num flagrante desrespeito à vida e à própria lei, que tanto pedem para respeitarmos, o Estado de São Paulo tomou a decisão – e executou-a violentamente – de ini-ciar uma operação de “reintegração de posse” num domingo, antes das 6h da manhã, e retirar mais de 9.600 pessoas da ocupação do Pinheirinho, sem qualquer estrutura e planejamento para realojá-los. Tudo isso, para defender o inte-resse do milionário Naji Nahas, en-volvido em inúmeros escândalos, que tem grande parte ou a tota-lidade de sua riqueza sob suspeita. Em algumas horas, mais de 9.600 pessoas viraram moradores de rua.
O governador Geraldo Alckmin e o Judiciário tomaram partido pelos ricos, ingênuos foram àqueles que não esperavam isso e acreditaram na palavra da lei e na honestidade do Estado. São Paulo vem sendo o principal cão do autoritarismo no Brasil, toda e qualquer manifes-tação de trabalhadores é recha-çada duramente: Movimento contra a PM na USP, Movimentos dos professores do Estado, moradores da periferia, Cracolândia, Movimen-tos Sociais, Pinheirinho e muitos outros, todos são duramente repri-midos, na base da bala, pancada, armas químicas e, outro instru-mento do Poder Judiciário, a crimi-nalização dos Movimentos Sociais.
Manifestar-se agora virou sinônimo de cometer crime. Que democra-cias são estas? Aqui no Brasil temos uma barbárie atrás de outra. Nos Estados Unidos estão a aprovar leis que censuram e criminalizam a circulação de arte econhecimento pela Internet. Na Grécia, trabalhadores são espan-cados porque defendem seus interesses. No Chile aprovou-se uma lei que permite a prisão de estudantes por, no mínimo 3 anos, caso protestem dentro das universidades.
E por falar em reintegração de posse: “Foi divulgado no dia 17 de janeiro de 2012, por meio do Diário da Justiça da Capital, a decisão judicial que estabeleceu o prazo de 20 dias para a execução da reintegração de posse da Moradia Retomada na USP”*. Esta ocupação ocorreu em março de 2010 porque não havia vagas suficientes para o número de estudantes que necessitam da Moradia Estudantil. ”Os moradores do CRUSP, reunidos em assem-bléia, decidiram pela retomada de parte do bloco G que antes era moradia e havia sido tomada pela Divisão de Promoção Social da COSEAS e pelo banco Santander, inviabilizando a utilização do espa-ço como moradia estudantil. Mesmo diante da falta de vagas, a reitoria criminalizou esse movimento expulsando 6 estudantes em dezembro de 2011”*. O Coletivo Faísca está absolutamente ao lado e com a Classe Trabalhadora e frontalmente contrário a este estado de caos social patrocinado pelo Estado brasileiro.
Retomar o Pinheirinho e superar a sociedade de classes. Apoiamos e reconhecemos todas as formas de resistência que a população usou e está usando contra a PM e o Estado de São Paulo
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